quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Até onde ir?

Por mais complicada que possa ser a escolha em abortar ou esperar a gestação de uma criança com anencefalia, a decisão fica a cargo da mulher

O tema que é de pouco conhecimento pela sociedade brasileira, pode acarretar em situações que marcam a vida de famílias que descobrem durante o período de gravidez, que estão esperando um bebê anencéfalo.


Na décima segunda semana de gestação já é possível detectar a doença que é caracterizada pela ausência de cérebro. No Brasil, a incidência de crianças nascidas com a doença é de uma para cada 700. Se há sobrevivência após o parto, a criança não resiste por mais que algumas horas, e em casos raros por meses. Além disso, os órgãos após o falecimento não são utilizados para transplante. Existem três fatores que podem influenciar na formação de um feto anencéfalo: o genético, o nutricional e o geográfico.


Com o objetivo de trazer a questão da anencefalia para conhecimento público, um grupo de estudantes do quarto ano de jornalismo da Universidade IMES, em São Caetano, produziu um vídeo-documentário sobre o tema.


Um dos idealizadores do trabalho, Felipe Mesquita, reconhece nunca ter ouvido falar da doença. O grupo relembra que desde o segundo ano da faculdade, a idéia estava entre as preferidas para ser desenvolvida como tema principal do TCC, Trabalho de Conclusão de Curso.


O vídeo-documentário apresenta cinco depoentes principais, entre mães e pais, e oito especialistas para dar embasamento às explicações do tema. O trabalho é divido em três blocos: o primeiro aborda a explicação do que é a anencefalia; o segundo trata do direito de escolha da mulher e o terceiro tem foco na prevenção. Prevenção? Isso mesmo, a doença pode ser prevenida! A solução é agregar à alimentação, aproximadamente três meses antes da gestação, uma vitamina denominada “ácido fólico” que diminui em até 60% o risco de gerar uma criança com a doença.


Felipe Mesquita afirma que tornar de conhecimento público a prevenção é um dos focos principais do documentário: “Cada gestação cuja prevenção não é tomada, se tem 5% de chance de ter filhos com a doença. Se a mulher tiver outro filho e não tomar os cuidados necessários, a chance aumenta para 10%, e assim por diante”.


Ele também cita que muitas vezes o aborto é encarado como solução para essa realidade. “Mesmo a doença não ocasionando qualquer risco de vida para a mãe, a mulher tem direito pelo próprio corpo, é um direito de escolha. Mas é bom lembrar que o aborto por si só é crime”, reforça o estudante.


A integrante do grupo idealizador do vídeo-documentário, Priscila Aguiar, comenta o período da gestação: “Por ser um momento difícil, essas mulheres contam com o acompanhamento de psicólogos que as orientam”.


Fernanda Lúcia, também idealizadora e integrante do grupo de estudantes, comenta o aborto mencionando a religião: “O ministro tentou aprovar, mas parou por conta da Igreja que não encara isso como uma ação correta. A religião entra no documentário de uma forma bem leve”.


O grupo define o trabalho como “técnico científico que transmite emoção, mostra o que algumas mães passaram e foca a questão da prevenção”. Eles afirmam que se surpreenderam, tanto pela forma que produziram, quanto pelos resultados alcançados.


O próximo passo após a apresentação do trabalho concluído que acontece em outubro é investir no plano de mídia para veiculação do vídeo-documentário.


A coletiva de imprensa com a prévia do trabalho foi exibida nesta terça-feira nas dependências da Universidade IMES.
Caroline Longue Terzi


Um comentário:

Prof. Arquimedes disse...

Texto muito bom, parabéns. Apenas uma correção:

pode acarretar em situações - retirar "em" (primeiro parágrafo)