terça-feira, 16 de outubro de 2007

Foto e texto, carne e unha???

Estudante de jornalismo levanta a discussão sobre a relevância da fotografia em publicações empresariais
Na última terça-feira (09), a estudante do quarto ano do curso de jornalismo, Carla Porrino, apresentou uma prévia da monografia que é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso que desenvolveu na Universidade IMES em São Caetano do Sul.
O foco do trabalho é definir qual o critério usado para fotos em publicações empresariais. A estudante fez questão de ressaltar que não realizou uma análise quanto à qualidade técnica da foto, e sim se há uma preocupação com a conexão da foto e o texto divulgado.
Para o desenvolvimento do trabalho, Carla Porrino contou com a participação e embasamento técnico de três profissionais envolvidos no assunto: uma coordenadora de comunicação interna de uma grande indústria automobilística, um fotógrafo e uma especialista em comunicação empresarial.
A estudante afirma que a foto vem para informar e complementar o texto, mas durante a pesquisa que realizou, pôde perceber algumas contradições: “Há revistas que se dizem de comunicação interna, mas a maioria dos trabalhadores da empresa não se vêem nelas. Sempre há fotos de gringos, que não coincidem com a realidade de alguns trabalhadores”. Carla relata que demonstrou interesse em desvendar no trabalho as formas que eram tratadas o fato de registrar determinado evento: “O meu intuito era saber se havia a contratação de um fotógrafo, ou se as empresas simplesmente mandavam um estagiário ou outro funcionário fotografar o evento. E se essa foto foi produzida ou recuperada dos arquivos da empresa”.

Na produção do trabalho, Carla constatou que a contratação de um fotógrafo especializado está orçada em 5% dos gastos da empresa. Essa realidade, de acordo com a estudante, pode muitas vezes prejudicar a qualidade de um serviço, tornando assim a fotografia um sub-produto de comunicação. “A empresa que eu pesquisei, revela que é muito mais simples investir numa máquina digital meia boca e um funcionário registrar o momento, a contratar um profissional”.

De acordo com a estudante, fica fácil definir os momentos específicos a serem registrados: o recebimento de um troféu, um aperto de mão sinalizando um acordo, são os mais comuns. Mas essa situação gera polêmica quando o assunto é a profissão de fotógrafo. Carla Porrino relata que a renda dos fotógrafos vem a partir das fotografias, e com o surgimento das máquinas digitais, boa parte do mercado que era de exclusividade desses profissionais acabou perdendo espaço. A solução para a categoria é então recorrer à venda dessas fotos quando há possibilidade e recorrer ao banco de imagens.

A estudante explica o que a produção e o tema que ela desenvolveu para a monografia representam: “Esse trabalho de graduação serve para mim como um crescimento meu. Eu encaro esse trabalho com 50% de saldo positivo mesmo recebendo elogios de quem tem acesso a ele. Cabe verificar se há preocupação com o conteúdo, Todo mundo se preocupa com a foto, mas não se dedica atenção ao fotógrafo ou funcionário que fotografa”.

Carla finaliza com a declaração de que enquanto o gestor da empresa não se dedicar e perceber a importância do casamento da foto e o que ela representa para o texto, essa realidade vai continuar com o mesmo panorama.
Caroline Longue Terzi

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