terça-feira, 4 de setembro de 2007

Uma escolha sem expectativas


Por Aline Bosio


Apesar de pouco debatido, o assunto causa polêmica e é mais comum do que a maioria das pessoas imaginam. A anencefalia, uma má formação do feto que causa a ausência do cérebro, ocorre, no Brasil, em um a cada 700 nascimentos. Estas crianças não têm expectativa de vida. Nem a fé dos pais pode salvá-las.

Este é o assunto que será abordado no vídeo-documentário E agora mãe? Anencefalia e o direito de escolha, que será apresentado em outubro, na Universidade Municipal de São Caetano do Sul.

São vários os fatores que colaboram para o problema, como falta de certos nutrientes no organismo, pré-disposição genética e até má educação alimentar. O diagnóstico pode ser feito a partir de 12 meses de gestação através de uma ultra-sonografia simples.

“Descobrimos no decorrer das entrevistas que não existe tratamento. A única maneira de evitar que isso ocorra é a prevenção através da ingestão do ácido fólico.”, explica um dos idealizadores do documentário, Felipe Mesquita. Aliás, este é um dos principais objetivos do trabalho: mostrar como é simples evitar este tipo de má formação.

De acordo com especialistas consultados no documentário, como o geneticista Thomas Gollop, quando a mulher deseja ficar grávida, cerca de três meses antes da fecundação, ela deve iniciar a ingestão do ácido, que está presente na Vitamina B. Isto diminui em até 70% a chance do feto apresentar este problema.

Mas, ao descobrir que a criança não terá chances de viver, vem a dúvida: Abortar ou esperar nove meses e dar a luz à um pequeno ser que poderá morrer dali algumas horas ou, muito raramente, alguns meses?

A lei brasileira determina que o aborto só é permitido em casos de estupro ou quando a vida da mãe está em perigo. Nos casos de anencefalia eles não são permitidos. Para que isso ocorra legalmente, é preciso entrar com uma solicitação na justiça.

Há ainda aquelas famílias que preferem acreditar em uma salvação divina e dar continuidade à gestação, mesmo sabendo do curto tempo de vida do bebê.

É justamente neste ponto que entra a polêmica. Não é nada simples para uma mãe saber que, independentemente de sua escolha, seu filho, seu tão esperado filho, morrerá sem sequer ter tido a chance de perceber o quão amado era. Problemas psicológicos e traumas são comuns entre essas mães.