terça-feira, 25 de setembro de 2007

A vida e o comércio na rua mais movimentada de São Paulo


Entre ruas, becos, esquinas, lojas e ambulantes, a Rua 25 de março, esconde seus moradores atrás das lonas do varejo local.


Por: Eduardo Chaves

A todo momento, ônibus de vários locais do estado e do país despejam pelas ruas do centro da cidade de São Paulo, inúmeros turistas e principalmente comerciantes que buscam por novidades e criam um comércio tumultuado independente da época do ano. A agitação e a euforia por novas compras da-se a cara na Rua 25 de março, um dos endereços mais antigos da capital paulista do paraíso das compras.

O mar de gente é formado por pessoas que buscam além do preço baixo, diversidade e novidades do comércio local. Os sotaques são inúmeros e mistura está feita, porém ao entardecer e o abaixar dos portões de aço das lojas, o silencio faz companheiro dos moradores do local.

Um grupo de jovens jornalistas da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, resolveram topar o desafio e mostrar em seu trabalho de conclusão de curso que a rua mais movimentada da América Latina também é berço para paulistas e tantos outros povos que ali moram.

O documentário de rádio “Eu moro na 25 de março” colheu durante todo o primeiro semestre de 2007 inúmeros depoimentos de pessoas que moram na região e assim ganham comodidade e tempo em suas vidas, uma vez que a maioria também trabalha no local e não perdem tempo com o stress do caótico trânsito de São Paulo.

As entrevistas ganham ainda mais vida nas vozes de ex-moradores, moradores de rua, comerciantes, representantes da área de saúde, historiadores, seguranças e assistentes sociais que contam um pouco como é lidar com o barulho e a agitação dia-a-dia, além dos reflexos na saúde e no comportamento pessoal.

Ao todo são 1269 lojas oficiais e cerca de 10 bilhões de reais por ano circulando pela “25” números muito maiores que de muitas outras cidades inteiras espalhadas pelo Estado de São Paulo, os números não impressionam só por aí, a pesquisa dos alunos apontam também curiosidades como conta uma das integrantes do grupo Melina Cardoso: “Um dos moradores nos contou que no prédio dele vive um chinês que todo dia parece que tem defuntos dentro de casa, pois o lixo dele é muito fedorento”.

As narrativas são costuradas com o som do próprio local que se confunde com o barulho dos carros, as buzinas, as ofertas, ambulâncias e sirenes. Detalhes como estes tornam o trabalho ainda mais interessante.

Os alunos Melina Cardoso, Kátia Lopes, Thaiz González, Priscila Marques, Fabrício Bomfim, Thiago Francisco e Thiago Magnani fizeram uma pré-estreia do trabalho no último dia 18 de setembro na própria Universidade e prometem que no próximo mês o trabalho estará pronto e que tentaram veicular em rádios da região do ABC, no entanto a preocupação com a banca avaliadora está em primeiro plano.