terça-feira, 11 de setembro de 2007

Um olhar além dos trilhos

Por Aline Bosio


A atual situação da Vila de Paranapiacaba é o tema do documentário “Estação Final: Paranapiacaba”, realizado por alunos do último ano de jornalismo do Imes, Universidade Municipal de São Caetano do Sul. A pré-estréia do vídeo ocorreu na última terça-feira (4), na própria universidade.
Localizada em Santo André, a Vila, hoje ponto turístico e conhecida pelo Festival de Inverno, já foi de extrema importância econômica para a região. Em 1856, o Barão de Mauá e empresa inglesa São Paulo Railway receberam de D. Pedro II o direito de explorar a uma ferrovia, que ligaria o interior paulista ao litoral e que seria responsável pelo escoamento da produção de café até o porto de Santos. Em 1860 as obras da ferrovia, chamada de Sistema Funicular, foram iniciadas.
Após sua inauguração, em 1867, foi criada a Vila Velha, um vilarejo formado por casas no estilo inglês que abrigava, em sua maioria, operários e técnicos responsáveis pela manutenção da ferrovia.
Por volta de 1900 as obras do Segundo Sistema Funicular foram concluídas. Uma nova vila foi criada, a Vila Nova, que hoje abriga os grandes atrativos arquitetônicos de Paranapiacaba. Ela foi equipada com a Estação Alto da Serra (destruída por um incêndio em 1981), uma torre com relógio em estilo inglês, além de oficinas, clube e mercado.
Somente em 1907 o local passou a ser chamado de Paranapiaca, que em tupi-guarani quer dizer lugar de onde se avista o mar. Antes disso, era conhecido apenas como Estação do Alto da Serra.
O progresso, que era a palavra de ordem da Vila, começou a decair em 1946, quando a concessão da São Paulo Railway terminou, ficando sob o controle da União. A ferrovia, as locomotivas e os pátios foram abandonados. Para muitos moradores locais, foi a partir daí que se iniciou a decadência da Vila.
“Estação Final: Paranapiacaba” tem como objetivo mostrar como era a vida ao redor da vila ferroviária e como ela está atualmente. O documentário é dividido em três blocos e composto por depoimentos de moradores locais e de um historiador. Entre os personagens está José Calazans, de 83 anos, conhecido como Rei do Loco-Breque, que irá relatar como era a Vila nos tempos em que os ingleses ainda viviam por lá.
“Muitos moradores sentem saudades da época da ferrovia e dos benefícios que ela trazia”, conta um dos produtores do vídeo, Diego Fuzo. “É uma grande oportunidade de conhecer a história deste vila e sua atual situação. Acima de tudo, é preciso observar o estado precário de nossa ferrovia”, completa.
O lançamento oficial do vídeo-documentário será em outubro, entre os dias 16 e 22, no auditório da universidade.