segunda-feira, 24 de setembro de 2007

25 de março, mora alguém aí?

O maior shopping a céu aberto da América Latina é tema de Trabalho de Conclusão de Curso

Com o objetivo de mostrar que na rua 25 de março por incrível que possa parecer existem moradores, os alunos do quarto ano do curso de jornalismo da Universidade IMES, se questionaram quanto ao modo de vida dos residentes.

De acordo com a estudante e uma das idealizadoras do trabalho, Melina Cardoso, morar numa rua que chega a receber milhares de pessoas deve ser uma constante adaptação: “Essa situação deve ser complicada, então resolvemos abordar como é a vida dessas pessoas, como é estacionar veículos, como é o final de semana dessas pessoas, como é dividir o quintal, se é que ele existe, com tanta gente e tanto barulho. Sem contar o Ai, ai, ai titia”.

O grupo optou pela produção de um rádio documentário de meia hora e deixou de lado a idéia de produzir uma série de reportagens especiais. Os estudantes reconhecem as dificuldades encontradas pelos produtores de um material como o que eles escolheram, já que as rádios optam muito mais pelas séries por serem mais rápidas (cerca de 5 min. cada episódio) e poderem ser interrompidas.

Melina Cardoso explica que a escolha de veicular o trabalho em rádio foi feita porque o veículo exige criatividade tanto por parte de quem produz quanto por parte do ouvinte. “O nosso objetivo é transportar as pessoas para a pele de quem mora lá. Só com um barulhinho teremos que relatar o estresse, as dificuldades, as diversões através de um documentário de rádio”.

O grupo afirma que a pesquisa teve aspecto fundamental para a realização de entrevistas com os moradores. A partir dos conhecimentos adquiridos em livros e informações de órgãos que regimentam e fiscalizam a região, os estudantes adquiriram embasamento sobre o tema para partir daí questionar os residentes sobre situações cotidianas do local. Melina relembra que foram à noite até a Rua 25 de março e chegaram a entrevistar lixeiros que os ajudaram a identificar os locais em que estavam os moradores: “Muitos comerciantes nem sabiam que existiam moradores lá, mas os lixeiros conseguiam distinguir por causa do tipo de lixo, era possível encontrar roupas e restos de comida, por exemplo”.

O grupo teve que mudar duas vezes de tema até chegar no assunto apresentado nesta terça-feira. Mas de acordo com a estudante, a sintonia do grupo ajudou no resultado final do trabalho.

O rádio-documentário “Eu moro na Rua 25 de Março” deve ser veiculado em formato de série de reportagem especial na emissora Rádio ABC, localizada em Santo André. O grupo pretende também criar um site de curiosidades e disponibilizar o trabalho na íntegra além de citar outros locais considerados inusitados para se morar.

Inovando na apresentação, o grupo entregou apitos com o objetivo de remeter ao público que participou da pré-estréia do trabalho, o barulho característico da rua que é marcada pela movimentação contínua.

Caroline Longue Terzi

Um comentário:

Prof. Arquimedes disse...

Tá bem legal. Apenas uma dica: o termo lixeiro costuma ser pejorativo. Opte por coletor de lixo...