sexta-feira, 7 de setembro de 2007

A vila encantada de Paranapiacaba

Misto de neblina, ferrovia e turismo, o local incentivou a produção de um vídeo-documentário

Comparar a vila há alguns anos e como pode ser encontrada atualmente é o objetivo dos idealizadores do vídeo-documentário “Estação Final: Paranapiacaba”.

Desvendar e esclarecer o que a vila representa para os moradores também faz parte dos assuntos abordados no documentário que é fruto do TTC, Trabalho de Conclusão de Curso, dos alunos do quarto ano de jornalismo da Universidade IMES, localizada em São Caetano do Sul.
De acordo com um dos produtores do documentário, Diego Fuzo, a vila é pouco conhecida pela população regional: “Muitas pessoas nunca foram para Paranapiacaba, e nem sabem que faz parte de uma cidade do ABC”.

Diego explica que no início, a vila era caracterizada pelas ferrovias, mas a mesma localidade que teve essa característica como marco, hoje retrata a decadência de tudo que foi estruturado. Um dos motivos foi a construção de rodovias, um exemplo que marcou a região é a Rodovia Anchieta.

Durante a realização do trabalho, os estudantes enfrentaram algumas dificuldades: a mesma neblina que oferece um ar de mistério ao local, prejudicou as gravações feitas pelo grupo. Para a captação das imagens tiveram que atravessar pontes com aproximadamente 65 metros de altura, “sem poder pisar fora do trilho, porque a qualquer momento a estrutura construída em meados de 1900 poderia desabar” relembra Diego Fuzo que passou um grande sufoco com a situação.

A captação de imagens antigas da vila para comparar com as atuais também foi um problema encontrado pelo grupo. A também idealizadora do vídeo-documentário, Renata Sanches, afirma que apesar da dificuldade em encontrar pessoas dispostas a falar sobre a vila, as que cederam entrevista, são caracterizadas pela lembrança de amor e saudade da época que ferrovia imperava no local. Em contrapartida, declarações de historiadores que integram o trabalho enfatizam que na época esse sentimento não imperava totalmente, afinal toda localidade passa por mudanças e dificuldades.

No caso de Paranapiacaba não foi diferente: os moradores não concordavam que a vila se tornasse ponto turístico. Atualmente, de acordo com Diego Fuzo, há estudos para retomar as atividades de parte da ferrovia. “Há projetos para instalar uma linha que leve a Maria Fumaça que sai do Memorial do Imigrante até a vila”.

A Vila já é caracterizada pelo Turismo Ecológico, é própria para acampar e fazer trilha. Esse momento que marca a vila nos dias de hoje, é tema do terceiro bloco do vídeo-documentário “Estação Final: Paranapiacaba”. A história e formação da vila desde a instalação dos engenheiros ingleses podem ser conferidas no primeiro bloco do trabalho. De acordo com Renata Sanches, o ápice do trabalho está no segundo bloco que vai tratar da decadência da movimentação ferroviária.

A apresentação do documentário na íntegra acontece em outubro na Universidade IMES.
Caroline Longue Terzi

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