sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Até que a Morte os Separe

Nesta última quinta-feira, os alunos do 4° ano de jornalismo da Universidade de São Caetano do Sul (USCS) assistiram uma palestra sobre como a imprensa brasileira retrata a violência contra a mulher.

A palestrante convidada foi a aluna Edilma Rodrigues, também do 4° ano de jornalismo. Em sua apresentação, ela exibiu os resultados parciais da sua pesquisa que tem como objetivo analisar como, num período de três meses, os jornais Folha de São Paulo e Diário de São Paulo retratam um fato ainda tabu em nossa sociedade: a violência praticada contra mulheres.

Entre os dados divulgados, constam informações que chocam. No Brasil, 2,1 milhões de mulheres são espancados por ano, o que corresponde a uma a cada 15 segundos. Em 2008, 300 mulheres perderam a vida só no estado de Pernambuco, quase uma por dia. Não apenas isso; devido às diretrizes antiquadas que ainda regem a sociedade brasileira (e muitos países, como Guatemala e Índia) as próprias mulheres não dão queixas de seus agressores. Ou pior ainda, suportam as humilhações por acharem que isso é necessário para manter a estabilidade do lar.

Porém, o objetivo da pesquisa não é apenas o levantamento de porcentagens e estatísticas. Mas sim entender que critérios de noticiabilidade são usados pelo jornalismo (especificamente, dos jornais Diário de São Paulo e Folha de São Paulo) ao cobrir um tema que discute sobre o convívio social e toca no tabu assunto da família - algo "sagrado" em que "ninguém mete a colher". E, talvez, em ver como os jornais, como meios de comunicação, poderiam cumprir sua função social e ajudar a mudar este quadro.

A palestra foi assistida atentamente por todos os alunos e várias perguntas foram lançadas ao final. E a conclusão parcial a qual todos chegaram pareceu um tanto triste: não apenas os homens, mas as mulheres são muito machistas. "São padrões de comportamento difíceis de mudar" admitiu a aluna; mesmo assim alertou: "É preciso que nós, como jornalistas, derrubemos os filtros que temos em nossa cabeça para cobrir notícias como essa com mais imparcialidade".

O circuito de palestras continuará nas aulas do Professor Arquimedes Pessoni todas as quintas-feiras, às 19:30.

JUSSARA NUNES DE OLIVEIRA

Um comentário:

Prof. Arquimedes disse...

Fiel à apresentação. Atenção para o uso do verbo assistir. Em ambos os casos do texto, pede crase. A grafia do jornal é Folha de S.Paulo.