segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Saudades dos velhos e bons tempos varzeanos




Por Celso M. Rodrigues

A importância do futebol de várzea em São Paulo é clara, tanto para os tempos áureos do futebol, nas décadas passadas, quanto para os dias de hoje, onde esse tipo de modalidade, além de revelar grandes jogadores para o futebol profissional, proporcionava a reunião entre amigos aos finais de semana, onde os pais levavam os filhos para assistir os campeonatos varzeanos e amadores.

Durante muito tempo, os campos erguidos e mantidos às margens dos rios ou ao lado de indústrias se transformaram em autênticas fábricas de jogadores. Aos poucos, com o crescimento da cidade, muitos campos foram destruídos, mas, se por um lado a antiga e valorizada várzea não revela tantos atletas quanto no passado, o futebol amador faz sua parte e continua forte. Prova disso são os inúmeros jogos, aos finais de semana, com clubes que sobrevivem graças ao esforço, dedicação e crença de alguns fanáticos que viveram os velhos e bons tempos do futebol varzeano.

E como poderia não ser? Ronaldinhos, Romarios, Denilsons, Kakas, uma infinidade de jogadores, de craques, sendo fabricados nos antigos campos, que hoje não abrigam mais esse Incentivo, que agora fica a cargo dos grandes clubes. Ou seja, passou-se a limitar quem pode ou não seguir a carreira, afinal, uma pessoa de classe social baixa não teria as mesmas condições que uma de melhor posição social, não teria o mesmo acesso aos clubes de grande porte e nome, logo estariam fadados ao fracasso, ainda que fossem craques. É claro, a gente vai sempre ouvir aquela frase: mas fulano ou ciclano era pobre, veio de família humilde. Sim. Mas não reflete a realidade, o volume de crianças com potencial é muito grande, mas por serem de classe social baixa, não têm a mesma oportunidade que uma criança de uma família com estrutura social e financeira.

Mas é claro, a várzea hoje, virou um reduto do encontro entre os craques que fizeram nome no passado e hoje aparecem para lazer, ou mesmo, os jogadores que estão de folga nos seus clubes ou de férias e voltam ao bairro onde nasceram para rever os amigos e matar a saudade dos velhos e bons tempos de várzea.

Muitos desses craques, a maioria, veio da periferia, onde o futebol no fim de semana é a reunião de bairro, a consagração de determinado jogador ao marcar um belo gol, ou ainda, onde poucos têm acesso e se quer consegue enxergar o que acontece naquela comunidade. Onde o índice de criminalidade, talvez, seja o ponto mais comentado pela sociedade, pois um campo de várzea, geralmente, está situado numa área de classe baixa, e o pouco que se sabe é muito diante dos fatos.

Com o progresso, globalização, expansão comercial fica cada vez mais difícil manter os pequenos clubes e campos destinados a esse tipo de modalidade, afinal, edificações são erguidas com o propósito de sanar a falta de moradia, ou para fins comerciais, ou ainda, com a única e exclusiva finalidade de criar grandes conglomerados, que se formam na fusão de vários empresários, investidores e até empresas do ramo de construção civil, ou de outro ramo de negócio. Fato que torna cada vez mais escassa as áreas destinadas ao futebol varzeano, e como conseqüência, reduz a oferta de oportunidade de inserção social por meio do esporte, para os pobres.

Para o jornalista Luiz Prudêncio, formado pela USCS, Universidade Municipal de São Caetano do Sul, ir para um jogo de futebol de várzea pode representar o encontro com um ídolo do seu time do coração ou até mesmo rever velhos jogadores que fizeram nome no futebol profissional e hoje já estão aposentados.

“Muitas vezes você chega no campo de futebol de várzea e acaba encontrando jogadores antigos que fizeram carreira em grandes clubes e hoje tiram um lazer na várzea, ou até encontrar jogadores em atividade, mas em seu dia de folga tirando um lazer com velhos amigos.”, afirma o jornalista.

Muitos desses jogadores da várzea completam seu orçamento, com cachês que recebem de times que precisam de reforços para disputar alguns campeonatos.

Um comentário:

Prof. Arquimedes disse...

use "onde" só quando se referir a local.
dizer em algum momento que está se referindo a vídeo/TCC.
Bom texto!