segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Vida de caminhoneiro: o outro lado da moeda



Uma prévia do trabalho de conclusão de curso (TCC) do grupo “Os Chapas” foi apresentada na última quinta-feira (11), às 20h, na Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS. A produção baseia-se em um rádio-documentário que aborda a vida dos caminhoneiros no Brasil. O foco é expor as duras condições de trabalho que esses profissionais estão submetidos, como também enaltecer a importância de cada um deles na economia do país. “Diferentemente do que era mostrado no seriado Carga Pesada, exibido pela TV Globo, em que os caminhoneiros Pedro e Bino viajavam em dupla, a rotina dos motoristas quase sempre é extremamente solitária, explica uma das integrantes da equipe, Ana Paula Serpa, que complementa que dependendo do tipo de carga e da rota, os condutores chegam a ficar até 90 dias fora de casa.


Mas as dificuldades não param por aí. Ainda existem outros obstáculos que devem ser vencidos pelo caminho. Além da dura realidade de não ter a família próxima, os caminhoneiros enfrentam a precariedade dos postos de parada nas rodovias. Alguns desses estabelecimentos chegam a cobrar até três reais por minuto de banho quente. “Sempre que eu viajo, levo pelo menos uma peça de roupa da minha patroa e dos meus filhos. Eu comecei a fazer isso quando ia viajar pra ficar alguns dias fora, e hoje eu não saio de casa sem o cheirinho deles. Esse é o conforto, o jeito que eu achei pra não morrer de saudades", desabafa o caminhoneiro, Jorge Alves Nascimento, 38 anos, casado há 12, que transporta combustível entre São Paulo e Rio Grande do Sul.


Atualmente, esses profissionais autônomos são responsáveis pelo transporte de cerca de 65% de toda a carga brasileira, número extremamente elevado se comparado à outros métodos de transporte, como navio, por exemplo.


Roberto Suga