domingo, 7 de setembro de 2008

Cidade fantasma se transforma em referência para tratamento dermatológico

Por Celso M. Rodrigues

No ano 2000 a Organização Mundial da Saúde, (OMS), divulgou informações sobre a eliminação da Hanseníase como problema de saúde pública, o que significa que para cada 10.000 habitantes existiria menos de um paciente, previsão para meados do terceiro milênio.

A Suburbanos Produções mostra em seu Trabalho de Conclusão de Curso de jornalismo, TCC, a vida de pessoas que são ex-residentes do Asilo-Colônia Aymorés. Um filme que fala sobre a história do lugar que abrigou muitas pessoas de maneira compulsória, autoritária e cruel.
O que é o Asilo-Colônia Aymorés? Hoje Instituto Lauro de Souza Lima, foi criado em 1933 como Asilo-Colônia Aymores onde eram internados os portadores de hanseníase do Estado de São Paulo e região.

Em 1949 – a Lei 520 de 10/12/49 fez com que o Asilo-Colônia Aymores fosse transformado em SANATÓRIO AYMORÉS. Com a reorganização da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo , em 1969, passa a se chamar HOSPITAL AYMORÉS DE BAURU - HD1. Em 1974, em homenagem a um dos grandes hansenologistas do Brasil o hospital passa a se chamar HOSPITAL "LAURO DE SOUZA LIMA".

A partir de 1989, com o decreto nº 30.521 de 02/10/89 o hospital transforma-se em Instituto de Pesquisa, e responde à Coordenadoria dos Institutos de Pesquisa da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo passando a ser denominado INSTITUTO "LAURO DE SOUZA LIMA."
O interessante nisso tudo é que mesmo com as adversidades, eles conseguiram, não só sobreviver, mas construir um patrimônio, que é tombado historicamente.

Como entender? Uma Colônia que serviu para segregar, cercear, isolar um ser humano, portador de uma doença, que na época era um caso sem solução, e hoje, é referência em tratamento dermatológico, reconhecido nacional e internacionalmente, pelos órgãos da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde – OMS.

De forma desumana portadores de hanseníase, em linguagem popular lepra, quando diagnosticados com a doença, eram isolados socialmente sendo encaminhados para o Asilo, lugar cercado, como se fosse uma cidade fantasma, mas com seguranças que proibiam a saída dessas pessoas e por determinação dos órgãos superiores, na época, não teriam contato com nenhum ser humano saudável. Como se isso não bastasse, ao serem diagnosticadas como hansenianos, ou leprosos, eram retirados, juntamente de seus familiares, de suas residências, assim o governo ateava fogo na propriedade com todos os bens pessoais, móveis e tudo que essas pessoas possuíam e eram levados à Colônia.

Com isso, muitos dos familiares deixavam os doentes no Asilo e nunca mais voltavam para visitá-los ou sequer ter notícias deles.

Sobre a doença

O que é Hanseníase ou Lepra?
Doença causada por um micróbio chamado bacilo de Hansen (mycobacterium leprae), que ataca normalmente a pele, os olhos e os nervos. Também conhecida como lepra, morféia, mal-de-Lázaro, mal-da-pele ou mal -do-sangue.
Doença que tem cura. Na primeira dose do tratamento, 99% dos bacilos são eliminados e não há mais chances de contaminação.

Transmissão
Não é uma doença hereditária. A forma de transmissão é pelas vias aéreas: uma pessoa infectada libera bacilo no ar e cria a possibilidade de contágio. Porém, a infecção dificilmente acontece depois de um simples encontro social. O contato deve ser íntimo e freqüente.

Contágio
A maioria das pessoas é resistente ao bacilo e, portanto, não adoece. De 7 doentes, apenas um oferece risco de contaminação.
De 8 pessoas que tiveram contato com o paciente com possibilidade de infecção, apenas 2 contraem a doença. Desses 2, um torna-se infectante.

SintomasSensação de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades. Manchas brancas ou avermelhadas, geralmente com perda de tato e de sensibilidade ao calor, ao frio e à dor. Áreas da pele aparentemente normais têm alteração da sensibilidade e sudorese. Surgimento de caroços e placas em qualquer local do corpo. Diminuição da força muscular.

Tratamento
A hanseníase se apresenta, basicamente, de duas formas. O tratamento depende do tipo.
Se for do tipo paucibacilar (com poucos bacilos), o tratamento é mais rápido. É dada uma dose mensal de remédios durante seis meses. Além da ingestão de um comprimido diário;
Se for do tipo multibacilar (com muitos bacilos), o tempo para tratamento é mais longo. São 12 doses do medicamento, uma por mês. Além de dois outros remédios diários durante os dois anos.
O tratamento será 100% eficiente se for levado a sério do começo ao fim. Todos os medicamentos devem ser distribuídos pela rede pública de saúde.

Saiba mais
O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase possui um serviço de informação com discagem gratuita: 0800-262001. Acesse também www.morhan.org.br

Um comentário:

Prof. Arquimedes disse...

Quem fez o TCC? Eles não falaram nada na apresentação?