quinta-feira, 6 de maio de 2010

Lapidando talentos em mais de três décadas de magia

por: Eric Douglas

O Teatro Amador Produções Artísticas (TAPA), foi criado no Rio de Janeiro, em 1979, e veio para São Paulo, em 1986. O grupo comemora mais de três décadas de pura magia, sempre em busca de novos talentos para a dramaturgia, o desafio agora é renovar o público e manter o carisma com o público já conquistado. Conhecido como um grupo que faz teatro realista, pelo sistema de dramaturgia do russo Constantin Stanislavski (1863-1938), que destaca o realismo psicológico e a vivência de emoções autênticas pelos atores.

O diretor Eduardo Tolentino e sua mãe, Lola Tolentino são uns dos fundadores do grupo, ele escreveu algumas peças que fizeram as cortinas do TAPA se abrirem para ganhar uma notoriedade no cenário nacional como: Apenas um Conto de Fadas,Viúva, porém honesta de Nelson Rodrigues. E no Festival de Teatro Brasileiro, com encenações de autores nacionais, como Martins Pena, O Noviço, e Artur Azevedo, A Casa de Orates. As histórias que o grupo criou foram convertidas em mais de 60 prêmios, Shell, PCA, Moliére, entre outros.

A magia do contemporâneo é retratada com a comédia dramática com o texto “Cloaca”, da holandesa Maria Goos, que revela a história de quatro amigos quarentões em situações decisivas. Pieter (Tony Giusti), um funcionário público gay, rouba obras de arte da prefeitura. Tom (Dalton Vigh) é um advogado viciado em cocaína e tenta trabalhar com publicidade. Jan (André Garolli), político com chances de virar ministro, está em crise no casamento, enquanto o diretor de teatro Marten (Brian Penido Ross) vive o estresse de uma estréia. Na peça, os quatro se vêem em situações que testam os limites entre amizade e egoísmo. A montagem estreou em agosto do ano passado e fica em cartaz até o dia 13 de junho no Teatro Imprensa.

Em janeiro foi realizada uma comemoração com o Panorama do Teatro Brasileiro, segunda geração. O Maior grupo de teatro de São Paulo detesta ser intitulado de “brega”, o charme do teatro realista apresenta a peça Pirandello, que o grupo vai estrear chama-se, “Vestir os nus”.

Na caça de talentos e em busca de se reinventar, o TAPA faz uma aposta na pós-modernidade líquida de Zygmund Bauman. As peças que no passado tiveram mais de três horas de duração, hoje duram cerca de uma hora e meia. O público do TAPA está envelhecendo e a solução parece ser os novos cursos para atores disponibilizados gratuitamente. Vale ressaltar, que para ser um ator ou atriz do grupo TAPA, não é necessário formação acadêmica.

Um comentário:

Arquimedes Pessoni disse...

Título bem elaborado e bom levantamento histórico do grupo.