quinta-feira, 6 de maio de 2010

Grupo Tapa é sinônimo de coragem

Por: Renata Lopez

Para quem conhece o grupo Tapa, sabe que nenhum outro grupo teatral do Brasil teve a coragem, a determinação e as condições que teve o TAPA. Já para quem não conhece, é com imenso prazer que vos apresento “O Teatro Amador Produções Artísticas- TAPA”. Seu teatro é realista e muito importante no meio teatral por primar por qualidade nas suas montagens. Usa técnicas de Stanislavski e seus atores são conhecidos pela precisão na interpretação.


Atualmente faz 30 anos e começou suas comemorações em julho passado buscando um novo relacionamento com seu público atual, ou seja, os jovens e não apenas para quem entendem de teatro, críticos e diretores, mas sim trazer a cultura para os mais afastados.


O grupo totalmente estável é liderado pelo diretor Eduardo Tolentino de Araújo, e foi fundado em 1979, no Rio de Janeiro.


Grandes criações surgem como Viúva em 1983, Porém Honesta, de Nelson Rodrigues, e Pinóquio, de Carlo Collodi,1984. No ano seguinte abre o Festival de Teatro Brasileiro.


Ainda em 1986, o grupo deicidiu transferir-se para São Paulo, ocupando, como sede, o Teatro Aliança Francesa, por quinze anos. A Mandrágora, de Maquiavel, e Solness, o Construtor, de Henrik Ibsen, em 1988, demonstram sua dedicação aos clássicos, e aprimoraram os recursos e a linguagem do conjunto.


Tais procedimentos consolidam-se, em 1989, com as encenações de Sr. de Porqueiral, de Molière, e Nossa Cidade, de Thornton Wilder. Em 1990, o TAPA realiza uma encenação de peso: As Raposas do Café, incursão grotesca e debochada sobre os primórdios da economia cafeeira, de Celso Luís Paulini e Antônio Bivar. Em 1991, faz sua própria leitura de A Megera Domada, de William Shakespeare; um cabaré lírico sobre poemas e canções de Jaques Prévert em As Portas da Noite, e um espetáculo corrosivo com texto de Plínio Marcos, Querô, uma Reportagem Maldita.


Têm um grande reconhecimento no teatro com peças realistas, no qual já ganhou mais de 60 prêmios.


Este ano em janeiro ocorreu o Panorama do Teatro Brasileiro 2ª geração - com peças do repertório do TAPA e de grupos que tem ligação com TAPA (alunos e atores do TAPA que dirigem outros grupos). A extensão no título - 2ª geração - já aponta para o que diferencia a mostra que teve inicio dia 21 de janeiro de 2010. Atores que fizeram praticamente toda sua carreira teatral no Tapa, como Clara Carvalho, Sandra Corveloni e Brian Penido, assinam a direção de três espetáculos, Valsa nº 6, de Nelson Rodrigues; As Viúvas, de Arthur Azevedo; e Pedreira das Almas, de Jorge Andrade. "Desta vez, a maioria é de produções ligadas ao Tapa, mas criadas fora do grupo. Mão na Luva foi montada pelos atores (tem concepção e interpretação da dupla Isabella Lemos e Marcelo Pacífico), o que a gente fez foi só uma supervisão crítica durante o processo. "Com exceção de As Viúvas e A Moratória (dirigida por Tolentino), as outras são produções independentes, o grupo deu algum tipo de apoio apenas. Atores importantes que passaram pelo TAPA inclui também: Rodrigo Lombardi, Zé Carlos Machado, Walter Breda, e atores que continuam no grupo: Dalton Vigh, Bárbara Paz, Beatriz Segall, entre outros.


Estreou em Abril sua mais nova produção: Vestir os nus, de Pirandello, O texto escrito em 1922 por Luigi Pirandello fala sobre a tentativa de suicídio de uma criada, através de várias versões dos personagens envolvidos e do próprio espectador. A apresentação é considerada um “clássico de teatro moderno”.


É responsável por uma geração de espectadores apaixonados por teatro e agora busca novos espectadores com montagens bem acabadas e de textos modernos como "Cloaca", a peça mostra o encontro circunstancial de quatro amigos de juventude no apartamento de um deles. Todos estão na faixa dos quarenta, todos trabalham para o Estado e todos falam "cloaca!" quando se encontram, rememorando um antigo código interno ao grupo dos tempos de faculdade. André Garolli, 42, Brian Ross, 49, Dalton Vigh, 45, e Tony Giusti, 49, são os atores mas são também amigos de longa data, assim como Maarten, Jan, Tom e Pieter, seus personagens. A aparição feminina na peça é breve uma prostituta russa contratada para divertir homens à beira de um ataque de nervos-, mas o olhar da mulher sobre o mundo masculino é constante no texto de Goos.


Em parte, o prestígio do TAPA no panorama do teatro brasileiro deve-se à alta definição do projeto artístico do grupo. Trabalhando sobre textos dramáticos de qualidade excepcional e explorando as conexões entre estilos consagrados e formalizações contemporâneas, o repertório do grupo, visto em perspectiva, converge para um núcleo ideológico onde o tema central é a responsabilidade do indivíduo na ordenação social. No tratamento cênico dado à literatura dramática do passado, o grupo tem procurado evidenciar não só a beleza das obras que permanecem como um patrimônio venerável, mas o modo como registram condições de vida que não conseguimos superar, ainda que os autores do passado as tivessem considerado, no tempo da escritura, estados contingentes da sociedade e da história.

Legenda da Foto: André Garolli, Brian Penido Ross, Dalton Vigh e Tony Giusti em cena de "A Cloaca". (2009)

Foto: divulgação

Um comentário:

Arquimedes Pessoni disse...

Mostrou trabalho de pesquisa, mas ficou muito na descrição histórica do grupo. Poderia inserir mais opinião no caldo cultural...