quinta-feira, 6 de maio de 2010

Grupo Tapa faz trinta e um anos de trajetória com uma boa bagagem

Desenvolvendo um ótimo trabalho ao longo dos anos, o diretor Eduardo Tolentino comemora com o grupo os 31 anos de existência.

Em 1979, no Rio de Janeiro, nasceu o grupo que a décadas marca o teatro brasileiro, o Teatro Amador Produções Artísticas (TAPA) estreando com o infantil Apenas um Conto de Fadas, de sua autoria, seguido das peças Uma Peça por Outra, de Jean Tardieu, em 1980; O Anel e a Rosa, de William Makepeace Thackeray, em 1981, e Trágico Acidente Destronou Tereza, de José Wilker, em 1982. Mas foi em 1983 que surgiram as criações que fez o grupo se fortalecer, como Viúva, Porém Honesta, de Nelson Rodrigues, e Pinóquio, de Carlo Collodi, de 1984. No ano seguinte, o TAPA abriu o Festival de Teatro Brasileiro, projeto de muitos anos, realizando a peça O Noviço, de Martins Pena; Caiu o Ministério, de França Jr, com direção de Celso Lemos; e A Casa de Orates, de Artur Azevedo.

Em 1986 o grupo passa para São Paulo, ocupando o Teatro Aliança Francesa, por quinze anos. A Mandrágora, de Maquiavel, e Solness, o Construtor, de Henrik Ibsen, em 1988, demonstram uma dedicação à linguagem clássica.

No ano de 1990, o TAPA realiza uma bela atração, As Raposas do Café, de Celso Luís Paulini e Antônio Bivar. Em 1991, A Megera Domada, de William Shakespeare; poemas e canções de Jaques Prévert em As Portas da Noite, e um belo espetáculo com texto de Plínio Marcos, Querô, uma Reportagem Maldita.

O grupo volta a focar no teatro realista em 1993, com Senhora Klein, de Nicholas Wright, e um ano depois é refeito Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues. Em 1995, tivemos Corpo a Corpo, de Oduvaldo Vianna Filho; homenagearam Jorge Andrade fazendo Rasto Atrás e com mais um texto de Plínio Marcos, é realizado um forte espetáculo com Navalha na Carne; em 1997. Quando completaram vinte anos (1999), foi encenado A Serpente, de Nelson Rodrigues, junto com As Viúvas, pequenos textos de Artur Azevedo e uma adaptação de Maupassant, Contos de Sedução, em 2000.

No ano de 2001, o grupo interpreta Os Órfãos de Jânio, de Millôr Fernandes; Major Bárbara, de Bernard Shaw, e A Importância de Ser Fiel, de Oscar Wilde, protagonizado por Nathália Timberg, em 2002. No mesmo ano, realiza Executivos, texto do ator, encenador contemporâneo Daniel Besse. E em 2003 teve o espetáculo A Importância de ser fie, de Oscar Wilde, cujo elenco era Barbara Paz, Nathalia Timberg, Dalton Vigh, Etty Fraser entre outros.

Pela falta de referencia do teatro nacional, o grupo promove desde 2007 encontros diários com diversos grupos de atores profissionais, que queiram discutir rumos para o teatro brasileiro. Os mesmos têm feito uma série de leituras abertas ao público.


Em 2008, teve Retratos Falantes I e II; do inglês Alan Bennet, no ano seguinte o Tapa estava ficando mais velho e essas três décadas é comemorada até hoje. Em 2009 foi a vez de Cloaca, de Maria Goos e Valsa número seis, novamente de Nelson Rodrigues ficarem em cartaz.

O grupo está em cartaz com o espetáculo Vestir os Nus, de Luigi Pirandello. O texto escrito em 1922, fala da tentativa de suicídio de uma criada, com várias versões de personagens e com o próprio espectador.


Não se trata simplesmente de produzir ou atuar, se trata de um conjunto de trabalho escolhido e sempre buscar melhorar e disso o grupo entende. Afinal com trinta e um anos de estrada e dono de mais de 60 prêmios, como Shell, Funarte, Apca e Apetesp, o Tapa conquistou uma trajetória reconhecida por muitos, pelo respeito, qualidade, repertório e na maioria das vezes se dedicando à dramaturgia.


Legenda: Peça "A Importância de ser fiel" de Oscar Wilde (2003)
Foto: Divulgação


Regiane Merenda

Um comentário:

Arquimedes Pessoni disse...

Escolheu a linha do tempo como fio condutor do texto, dando mais destaque ao resgate histórico do que a opinião da assessorada sobre o grupo.