quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sou hoje o seu amanhã. É bom ter certeza que escolheu ser jornalista




Provavelmente o maior desejo de todo estudante é um dia voltar para a faculdade, dar aquela boa olhada em tudo, nos alunos que hoje ocupam o seu lugar dizer: “Eu consegui”. Na última quinta-feira, 27, os formados Leandro Amaral e Melina Cardoso puderam fazer isso. Eles voltaram à Uscs para contar brevemente o duro caminho que tiveram de percorrer até poderem dizer a tão adorada frase.

Melina foi a primeira a começar a falar. Tagarela, não foi qualquer apresentação, ela queria era ficar de pé. A sala era dela. Seu sonho sempre foi trabalhar em rádio, já havia feito um curso de locução. “Se não entrar como jornalista, entro como locutora, mas de algum jeito eu entro”, relembrou o que pensava em seus primeiros anos de universidade.

Seu Trabalho de Conclusão de Curso foi bem inusitado. Tanto que a apresentação na aula de Assessoria de Imprensa, do professor Arquimedes Pessoni, foi bem “doida”, mas “o tema delas permitia”, como destacou o professor. O tema era a 25 de março, na verdade, os moradores de lá. Moradores? Sim, o grupo de Melina foi em busca dos desconhecidos que viviam na barulhenta e tão conhecida rua do centro de São Paulo.

Voltando a falar de sua carreira, Melina conseguiu o emprego que tanto queria: repórter da rádio ABC. Bem “ao som” de seu TCC, o trabalho está longe de algo muito “sensato”. Entrevistas sob o sol, andar de salto alto para lá e para cá e mais alguns micos dignos da profissão. Quanto a relação com a assessoria, ela enumerou alguns pontos positivos e negativos, como a ajuda que eles dão por você não conhecer o entrevistado ao vivo (quando precisa entrevistá-lo ao vivo) ou quando eles te enrolam.

Já Leandro logo começou a perguntar sobre as manchetes do dia. Não obteve muitas respostas, mas conseguiu passar a lição que pretendia. Ele comentou um pouco sobre aquele jornalismo romântico que acreditava existir no início do curso e que depois viu que não era bem assim. A realidade é outra. No segundo ano da faculdade conseguiu um emprego na rádio ABC, ele não trabalhava na área e esta era sua chance.

Chance de R$ 350,00. O salário bem baixo não era nem metade do que ele ganhava antes e nem dava para pagar a faculdade, mas ele decidiu correr o risco. “É melhor eu dar dois passos para trás, para depois dar quatro, cinco para frente”, pensou na época. E deu certo. Logo depois conseguiu uma bolsa na faculdade - o que já era uma preocupação a menos. O começo ele deixou claro que não é nada fácil, aquela velha história de sempre, hora para entrar, mas nunca para sair.

Sua noiva foi quase coadjuvante. Vez ou outra ele contava algum episódio como quando ela perguntou como ele podia tê-la pedido em noivado ganhando R$ 300,00? Ou onde sobraria tempo para ela trabalhando como “louco” e ainda o TCC? Pois é, o TCC. Trabalho árduo para falar sobre aquilo que, no mínimo, gera curiosidade: clausura nas religiões. E pelo jeito eles conseguiram matar bem esse “interesse pelo estranho” garantindo um 10 de nota final.

Hoje, ele continua na rádio ABC e à tarde trabalha num jornal também da região. O salário? Bem, no final do ano ele casa, com direito a igreja e festa em buffet.

Um comentário:

Arquimedes Pessoni disse...

Bem bom, parabéns!
Autora????