quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Olhares Amadurecidos



Por: Audrey Bertho

Na imagem uma menina corre por um corredor estreito. Poderia ser um filme de arte, nas cores de Amélie Poulain, mas é uma foto. A poesia presente no texto, impresso no verso, ajuda a dar o tom. O gosto doce da cocada que recebemos nos leva longe, alguns quilômetros de distância, mais precisamente por volta dos 47 e 48 km na Rodovia Anchieta.


Esse kit faz parte da apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso Olhares, sobre as memórias e identidades do bairro Cota 400, localizado nestes trechos da Anchieta.


Não se sinta desconfortável caso não conheça o lugar em questão. É muito raro pararmos assim no meio de uma Rodovia, a não ser que tenhamos algum conhecido por lá.


Mas o grupo formado por Caio Caprioli, Lívia Gonzalez, Luciane Brandão, Mayara Tabone e Paula Venâncio, não tinha conhecidos por lá, mesmo assim resolveram parar ali. E descobriram que este bairro pertence à cidade de Cubatão, que o 400 é uma referência em relação ao nível do mar, e que há outros “Cotas” por lá, como o 95/100, 200 e 500.


A certa altura da apresentação vemos que toda essa beleza é uma forma de traduzir alguns conflitos existentes na região.


O Cota 400 pertence a uma área de preservação ambiental da Mata Atlântica. Por outro lado, pertence também as quase 650 pessoas que hoje vivem lá. Este é o lugar onde cresceram, construíram suas casas, histórias de vida e suas famílias. Mesmo assim serão manejados, isso é fato. O governo precisa fazer valer as leis. A população precisa da terra que está acostumada.

Para entendermos melhor todo esse conflito, em novembro será lançado o livro que recebe o nome provisório de “Olhares”. Se mantiverem o ritmo, seremos presenteados com os frutos de um olhar maduro, com histórias para serem lidas, sentidas e tocadas.

Um comentário:

Arquimedes Pessoni disse...

Seu texto é muito criativo e bem escrito. Parabéns!