quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Para o caminho do mar



MARIANA QUERO CARRILLO



Na década de 30 eles foram trazidos de outros lugares do Brasil para construir a rodovia Anchieta. Na época, foram alojados em um acampamento do Departamento de Estradas e Rodagens do Estado de São Paulo (DER), e por ali ficaram. Hoje, mais de 60 anos depois, a comunidade do Cota 400 será remanejada para conjuntos habitacionais em Cubatão, por estar em área de preservação ambiental, pertencente à Mata Atlântica. Como será deixar todo o seu passado, a sua identidade, para trás?

Este é o tema do livro-reportagem produzido como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) pelos alunos do 4º ano de jornalismo da Uscs, “Olhares: Memórias e identidades do bairro Cota 400”. A comunidade, formada por 644 pessoas, conta as lembranças de toda a trajetória de suas vidas desde o início da construção da rodovia. Em coletiva de imprensa realizada na última quinta-feira, dia 24, o grupo explicou que o intuito da obra é abordar o impacto dessa mudança, que obriga os moradores do bairro a deixarem para trás “seus lares”.

“É legal porque vira um bate-papo. No início é difícil porque precisa conquistar a confiança, mas, depois, eles não param mais de falar”, ressaltou o jornalista Caio Caprioli enquanto comentava sobre a metodologia do livro, feita com base nos depoimentos dos moradores, que, na obra, são personagens principais, enquanto, na vida real, se sentem meros “peões de um tabuleiro” arrancados de seus lugares.

O lançamento será no mês de novembro, no auditório Hélcio Quaglio.

Um comentário:

Arquimedes Pessoni disse...

Texto de revista, muito bom!