quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Tira, Põe ou Deixa Ficar: Cota 400




A ruptura de uma conexão história de pessoas com o local onde residem será abordada no livro reportagem que está sendo produzido pelos estudantes de jornalismo Caio Caprioli, Lívia Gonzalez, Luciane Brandão, Mayara Tabone e Paula Venâncioda da USCS – Universidade Municipal de São Caetano do Sul.

Na entrevista coletiva realizada na última sexta (25) os estudantes explicaram todo o processo, desde a escolha do tema até os resultados obtidos. O livro titulado “Olhares: Memórias e identidades do bairro Cota 400” discute a quebra dos laços históricos existente entre os moradores, que lá residem desde a década de 30, e o local. No início do trabalho de pesquisa a saída destes moradores daquela região ainda era incerta, mas agora já está definido, eles terão de sair.

No começo aquele era apenas um acampamento criado para abrigar trabalhadores do DER (Departamento de Estradas e Rodagem) enquanto a Via Anchieta era cravada nas entranhas da serra do mar. Mas atualmente é o lar de 644 pessoas que terão de mudar para conjuntos habitacionais da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).

Ainda em fase de finalização o trabalho de mais de um ano de pesquisas, visitas e entrevistas será apresentado oficialmente em meados de novembro na Universidade Municipal de São Caetano do Sul.

Amanda Nero

Olhares Amadurecidos



Por: Audrey Bertho

Na imagem uma menina corre por um corredor estreito. Poderia ser um filme de arte, nas cores de Amélie Poulain, mas é uma foto. A poesia presente no texto, impresso no verso, ajuda a dar o tom. O gosto doce da cocada que recebemos nos leva longe, alguns quilômetros de distância, mais precisamente por volta dos 47 e 48 km na Rodovia Anchieta.


Esse kit faz parte da apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso Olhares, sobre as memórias e identidades do bairro Cota 400, localizado nestes trechos da Anchieta.


Não se sinta desconfortável caso não conheça o lugar em questão. É muito raro pararmos assim no meio de uma Rodovia, a não ser que tenhamos algum conhecido por lá.


Mas o grupo formado por Caio Caprioli, Lívia Gonzalez, Luciane Brandão, Mayara Tabone e Paula Venâncio, não tinha conhecidos por lá, mesmo assim resolveram parar ali. E descobriram que este bairro pertence à cidade de Cubatão, que o 400 é uma referência em relação ao nível do mar, e que há outros “Cotas” por lá, como o 95/100, 200 e 500.


A certa altura da apresentação vemos que toda essa beleza é uma forma de traduzir alguns conflitos existentes na região.


O Cota 400 pertence a uma área de preservação ambiental da Mata Atlântica. Por outro lado, pertence também as quase 650 pessoas que hoje vivem lá. Este é o lugar onde cresceram, construíram suas casas, histórias de vida e suas famílias. Mesmo assim serão manejados, isso é fato. O governo precisa fazer valer as leis. A população precisa da terra que está acostumada.

Para entendermos melhor todo esse conflito, em novembro será lançado o livro que recebe o nome provisório de “Olhares”. Se mantiverem o ritmo, seremos presenteados com os frutos de um olhar maduro, com histórias para serem lidas, sentidas e tocadas.

Às margens da Anchieta – Contando histórias

Millena Rodrigues

Lembranças sempre ficarão na memória. O bairro cota 400 é tema de muitas pesquisas, localizado à beira da Rodovia Anchieta, pertencente à cidade de Cubatão, o local divide opiniões quando o assunto é permanecer ou sair de onde se encontra. Construído exatamente para aqueles que ajudaram na inauguração e construção da Rodovia, a prefeitura resolveu manejar as famílias que ali vivem, longe de qualquer relevância histórica que o bairro tem para a cidade e de olho nos riscos que os moradores do cota 400 sofrem.

Quem mora no bairro se sente independete, conhece a tudo e a todos. A Prefeitura já começou a construção de Conjuntos Habitacionais na cidade para receber os moradores do Cota 400, que irão precisar se adaptar à nova vida, muitosdizem preferir a morte à mudança.


Carlinhos, é um dos poucos remanescentes do início do bairro. Ele ajudou na construção, constituiu família e vive lá até hoje. Para conseguir se sustentar vende cocada na beira da estrada, ele mesmo quem faz. Todo final de semana está lá, vendendo seus doces. E é assim que muitas famílias se sustentam na região.

Este é o tema de TCC do grupo do 4º ano de Jornalismo, da USCS. Com a produção do livro-documentário: “Olhares: Memórias e identidades do bairro Cota 400”, o Trabalho de Conclusão de Curso deste grupo tem como objetivo informar a sociedade sobre a existência do bairro e a importância histórica.

Confira a apresentação deles no dia 09.11.2009, no teatro da Universidade.

LIVRO DE MEMÓRIAS: A RELAÇÃO DO SER HUMANO E O AMBIENTE EM QUE VIVE



Por Simone Maximo


Qual a relação do ser humano com a paisagem e com as pessoas com que ele sempre conviveu? Qual o impacto que essa relação sofre quando os laços com as lembranças são quebrados?
Esse é o assunto abordado no livro Olhares: Memórias e identidades do bairro Cota 400 apresentado na última quinta-feira, 24, pelos alunos Caio Caprioli, Lívia Gonzalez, Luciane Brandão, Mayara Tabone e Paula Venâncio, do quarto ano de jornalismo da Universidade Municipal de São Caetano do Sul.


O bairro começou a se formar na década de 30 para abrigar os funcionários da obra da Via Anchieta. A maioria dos migrantes que vieram a São Paulo se instalaram ali, e, por diversos motivos, principalmente financeiros, ficou inviável a volta para seus estados de origem. Hoje, depois de tantos anos e de uma ligação forte entre as pessoas e o ambiente em que vivem, o bairro Cota 400 é considerado uma comunidade que está em área de preservação ambiental, pertencente à Mata Atlântica, e, por isso, será remanejada para conjuntos habitacionais em Cubatão, implantados pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).


Durante a apresentação, o grupo ressaltou que o objetivo da obra não é opinar sobre a saída dos moradores, mas sim, questionar como uma comunidade, que por motivos históricos e econômicos se formou em áreas atualmente decretadas como impróprias, encara essas mudanças.


Olhares: Memórias e identidades do bairro Cota 400 chama a atenção por abordar um assunto bastante polêmico: até onde a questão ambiental, tão discutida atualmente, é mais importante que a vida de pessoas que possuem uma história e uma relação com o lugar onde vivem.

O bairro Cota 400 é tema de livro reportagem de estudantes da USCS.

Olhares: Memórias e identidades do bairro Cota 400 traz a discussão sobre a formação de uma comunidade.

Por Marina Selerges

O grupo formado pelos estudantes Caio Caprioli, Lívia Gonzalez, Luciane Brandão, Mayara Tabone e Paula Venâncio apresentou na última quinta- feira (24) o projeto de trabalho de conclusão de curso de Jornalismo da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul). O livro reportagem aborda a discussão sobre a relação de um ser humano com a paisagem e como isso afeta na formação de seu caráter.

O bairro Cota 400 foi criado a partir de um acampamento para abrigar trabalhadores do DER (Departamento de Estradas e Rodagem) durante a construção da Via Anchieta. A discussão veio a tona quando foi decidido pelo estado retirar os 644 moradores do Cota 400 devido. O motivo da retirada dos moradores da área do Cota 400 é a preservação área que pertence a Mata Atlântica. Os moradores serão encaminhados para conjuntos habitacionais da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).

As informações foram captadas através de metodologia oral seguindo um roteiro com 23 perguntas. Para facilitar a memorização das respostas sistemas de captação de áudio e vídeo foram utilizados.

Segundo o grupo, o intuito do livro não é opinar sobre a retirada dos moradores da área e sim levantar a discussão sobre critérios econômicos, sociais e históricos na formação de uma comunidade.

Além das entrevistas com os moradores da comunidade para a recuperação de memória e identidade, o grupo ouviu também especialistas como Dojival Vieira e Liberato Manrique, que são advogados e a urbanista Raquel Rolnik.

Descendo a Serra


Alunos do 4° ano jornalismo da Universidade de São Caetano do Sul apresentaram na última quinta-feira (24/09) uma prévia do livro-reportagem “Olhares: Memórias e identidades do bairro Cota 400”, que tem como personagens principais os moradores do bairro Cota 400 que começou a se formar no início da década de trinta com a vinda de migrantes à São Paulo para a construção de uma das maiores rodovias que liga São Paulo à Baixada Santista, a Via Anchieta. O objetivo da obra é levantar discussões sobre o relacionamento desses moradores com o lugar, a histórias de vida da comunidade e os relatos de todos os acontecimentos, desde a criação da rodovia até o dias atuais.

Apesar dos processos de retirada dos moradores da área, já que é área de preservação ambiental, os integrantes deixaram claro a posição da obra nessa questão, segundo Luciane Brandão “o objetivo é simplesmente contar a história de vida dessa comunidade e a perda de identidade dessas pessoas ao se tornarem um problema a ser remanejado. Não queremos opinar ou questionar o certo ou errado em relação a retirada dos moradores da área de preservação” alertou a estudante.

Além dos relatos dos moradores da comunidade a obra também conta com a participação de especialistas de diferentes áreas entre eles, a urbanista Raquel Rolnik.

Marjorie Oliveira

O remanejo dos Cota 400


Por: Ana Paula Todisco


Durante o caminho da viagem para o litoral sul de São Paulo, descendo a Rodovia Anchieta, você já deve ter olhado umas casinhas - muitas vezes chamadas de “barracos” – às margens da pista ascendente, no meio do Parque Estadual da Serra do Mar e próximo aos quilômetros 47 e 48, mas o que muitos não imaginam é quem são os moradores de lá, o que eles fazem e qual é a realidade que eles estão passando.


Para entender e aprender um pouco mais sobre o Cota 400, um dos bairros de Cubatão, os estudantes do último ano de jornalismo da Universidade de São Caetano do Sul, Caio Caprioli, Lívia Gonzalez, Luciane Brandão, Mayara Tabone e Paula Venâncio, lançarão o livro-reportagem Olhares: memórias e identidades do bairro Cota 400 como trabalho de conclusão de curso.


Um bairro que é remanescente de um acampamento do Departamento de Estradas e Rodagens do Estado de São Paulo (DER) e foi erguido na década de 1930 para abrigar os funcionários da obra que culminou na inauguração da rodovia Anchieta.


Até hoje existem três moradores que ajudaram nas obras e a maioria dos que hoje moram lá, vieram de gerações das famílias criadas nos próprio bairro. Uma segunda leva chegou à época da construção da rodovia dos Imigrantes, e por último existem aqueles que não encontraram espaço e condições de morar na cidade e buscaram o Cota 400 como possibilidade de subsistência, porém eles são os que vivem na parte “crítica” do morro. Bem no topo.


O grande lance do livro-reportagem é mostrar o que acontecerá com as 644 pessoas que habitam o local, já que desde 1977 eles encontram-se em área de preservação ambiental. Diante de um impasse entre direitos fundamentais, o Governo do Estado de São Paulo e a prefeitura de Cubatão firmaram uma parceria para implantar um plano de manejo das comunidades que se encontram nas áreas do parque. Os “Cota 400” terão que modificar toda a rotina e estilo de vida, já que passarão a morar em habitações construídas em Cubatão.


Para dar um gostinho de quero mais, leia agora um trecho do livro Olhares: memórias e identidades do bairro Cota 400.


O homem e sua história. O menino corre descalço pela mata. A menina de mini-saia e olhos pintados enrubesce a face debruçada na janela ao receber o olhar discreto e apaixonado do vizinho. O rádio toca Bee Gees. Os maridos voltam cansados da lida e deleitam-se nos ventres úmidos de suas esposas. O choro agudo na madrugada anuncia a chegada de mais um menino. Ao amanhecer o cheiro do bolo se espalha pela casa. O sol penetra por entre a fresta da janela, iluminando o bule de café sobre a mesa. Uma mão marcada pelo tempo veste a luva, abre o forno e retira a assadeira. O riso estridente das crianças invade a cozinha. Todos deixam seus afazeres e se reúnem em volta da mesa. O bolo é cortado.A manteiga derrete sobre a fatia grossa. Um tempo, um cheiro, um gosto, um espaço compartilhado. Memórias fragmentadas. Pequenos gestos que constroem a história: do indivíduo, de sua família, de sua comunidade. Nossas lembranças recorrem à paisagem. Todos, em algum momento, escolhem algum lugar para chamar de lar.”